quinta-feira, 7 de abril de 2011

Experiência Missionária nas Filipinas



                                                     
                                      “Dois discípulos de Jesus, tristes com a morte do Mestre, retornavam para seu povoado Emaus. Enquanto conversavam o próprio Jesus aproximou-se  e começou a caminhar com eles.(Lc 24,13-15).
Este é o texto Bíblico  que escolhi como iluminação para o inicio de minha missão em Baguio city, Filipinas.Aqui. cheguei em 17 de Março 2010, portanto um ano e vinte  dias.
O País  das Filipinas é formado por mais de sete mil ilhas. Nelas habitam 94 milhões de habitantes . Cada ilha com sua língua e cultura ao todo são faladas  83 línguas.
A cidade de Baguio está situada ao Norte, na região chamada de Cordilheira. Estamos a 1.800 metros acima do nível do mar. Pelo seu clima ameno, é chamada a Capital do veraneio. Muitos turistas chegam a Baguio para as férias de verão. (Abril e Maio). Aqui vivem 350 mil pessoas  e este número pode chegar até 450 mil. Fala-se 5 línguas: Ilocano a língua da região, kankanae, Ebaloi, Tagalog e Inglês. Torre de Babel? Não. Os Filipinos vivem esta multiplicidade de línguas e de culturas pacificamente, numa tolerância a toda  prova, que eu amo e aprendo coisas novas todos os dias.
Aspectos e valores muito importantes nas Filipinas é a hospitalidade, acolhida, a família e a Religião. Conviver com este  povo do sorriso fácil e da luta constante  por vida digna pessoal e comunitária, é uma graça extraordinária que Deus me concedeu e me concede a cada dia.
Jesus se aproximou aos discípulos DE-VA-GAR. Assim eu tento viver a Missão com as Irmãs e leigos e o povo que servimos. Ex: Quando vamos nas famílias, nas comunidades já aprendi: ter hora para chegar mas não marcar a saída. Permanecer....ás vezes poucas palavras, curtindo a presença de cada um. Isto exige de nós missionários e agentes de pastoral  sensibilidade e grande amor. Pisamos em solo Sagrado. Estamos na terra do diferente, o respeito é fundamental. Colocar de lado nossos esquemas para aprender a ser um  com o povo  nesta região da Cordilheira.
Nesta convivência  com as famílias, comunidades nos bairros e paróquias  tento, ajudada pelas Irmãs   e leigos, compreender e assumir os valores, as dificuldades, os sonhos , os projetos e história das pessoas e suas comunidades tribais.DE-VA-GAR E SEMPRE.
Outro aspecto importante é a religião. O povo aqui é 96% Católico.
O Domingo é chamado  “o dia da família”. E realmente, as famílias fazem o maior esforço para participar da Celebração Eucarística  juntos.
No trabalho pastoral, incentivamos muito esta valor da participação comunitária da família. Ex Em nossa paróquia nas duas missas dominicais, uma família é escolhida para uma bênção especial e recebe uma vela como símbolo de fé que deve ser vivida em casa...Outra iniciativa Diocesana foi a gincana bíblica da família. Criatividade aqui não falta..
Temos outras Igrejas Cristãs e no Sul do país, os muçulmanos predominam.
Esta participação na Igreja é extensiva aos Eventos culturais organizados na cidade. Um grande festival é a Panagbenga. (a Festa das flores) em Fevereiro. Quinze dias de apresentações  artísticas. Adoram o canto, a dança, a musica, a pintura. a escultura...Tudo muito colorido. Expressões fortes  de um  povo criativo e determinado...
Mas exatamente qual é nossa missão neste Pais?
Todos pelo Batismo somos  Discípulos missionários  de Jesus de Nazaré.
Nos, como Missionárias do Sagrado Coração de Jesus, Congregação fundada por Santa Francisca Xavier Cabrini, viemos  á Baguio para atender as crianças de rua. Hoje, passados 17 anos, o cenário da cidade mudou. Continuamos com as crianças mas  o problema é o trabalho infantil, o desemprego e a pobreza generalizada..
São 150 crianças e suas famílias que ajudamos com bolsas de estudo no ensino fundamental, médio e faculdade . Além de garantir a educação formal, oferecemos cursos de computação, reforço escolar, catequese e outras atividades artísticas.
Todo esforço é feito para que através da educação possam sair da situação precária em que vivem. Já temos  ex-alunos e ex- alunas que conseguiram melhorar sua situação e da família. Outros ainda buscam meios para sobreviver.
Assumimos também  uma escola elementar Rural para a orientação religiosa e ajudando em tudo: material escolar, uniforme, livros para a biblioteca e roupa para o tempo das chuvas. As crianças andam uma hora a pé para chegar a escola...é muito sacrifício.
Uma das prioridades da Diocese é formação das CEB`s. O engajamento nas comunidades, através dos círculos Bíblicos, celebrações e catequese faz parte de nossa ação pastoral missionária. Tentamos, aos poucos,   caminhar com o povo e  em mutirão buscar  meios para um desenvolvimento sócio-económico sustentável e formar as lideranças e também a comunidade para viverem o Batismo pelo qual todos somos discípulos missionários de Jesus de Nazaré.
Dificuldades? Sim. Logo que cheguei e percebi este mundo tão diferente, pensei que não ia dar conta ...para mim era como entrar numa grande  floresta. Não podia reconhecer nada...
Mas como Madre Cabrini diz nestes momentos: “Mergulhar em Deus e sair correndo para acudir o irmão em apuros, fazendo de Cristo o coração do mundo”. E assim ajudada pelas irmãs, leigos, amigos e amigas  e minha família, superei o primeiro quase desespero...Hoje feliz da vida, curto o povo me chamando de Filipina mestiça...e eu digo: assumo...só falta  aprender a Tagalog.
Termino dizendo: esta missão, tão distante da terrinha confirma cada vês mais: Meu nome na Igreja é missão e missão é aproximar-se, caminhar juntos   com e como  Jesus de Nazaré , cuidando da Vida, único critério determinante do Reino de Deus.  Somos uma Gotinha no grande oceano de necessidades e sonhos que encontramos aqui. Nela o Pai  seja glorificado e o povo Filipino tenha Vida e vida de qualidade.
Ir. Terezinha Lumbieri MSC.