domingo, 19 de agosto de 2012

Perdoa-me, se eu orar errado!


Oro sem saber orar. Falo contigo, a quem eu nunca vi, cuja voz jamais ouvi e cuja presença às vezes não sinto. A Ti, a quem nós que seguimos Jesus chamamos de Pai. Não entendendo o mistério de um só Deus que é três pessoas eu falo da minha vontade de conhecer-te e de aprender a falar contigo. Nem sempre sei o que dizer, e não sei dizer o que sinto. Meus diálogos contigo padecem do meu limite de não saber conversar com alguém que nunca vi.Assim sendo, perdoa-me, se eu orar errado; se disser coisas que não correspondem aos fatos, ou se me referir a Ti de maneira errada ou inconveniente. Acontece que não sei como és, não conheço o som da tua voz e vivo da fé que recebi dos meus antepassados, fé que a Igreja me oferece. Não sei crer sozinho. Preciso de outros para desenvolver e expressar a minha fé. Mas os outros também não sabem tudo. Então, cremos e oramos como sabemos e dentro dos nossos limitesÉ o meu primeiro pedido: que me ensines a falar contigo. Ainda não sei me dirigir a Ti. Mentiria se dissesse que sei. Pe Zezinho SCJ

terça-feira, 24 de julho de 2012

"Perdas Necessarias"

Perdas Necessárias
Fábio de Melo

Deixa partir o que não te pertence mais
Deixa seguir o que não pode voltar
Deixa morrer o que a vida já despediu
Abra a porta do quarto e a janela
Que o possível da vida te espera
Vem depressa que a vida
Precisa continuar
O que foi já não serve é passado
E o futuro ainda está do outro lado
E o presente é o presente
Que o tempo quer te entregar

Fala pra mim, se achares que posso ouvir
Chora ao teu Deus
Se não podes compreender
Rasga este véu do calvário
Que te envolveu
Tão sublime o segredo se esconde
Nesta dor que escurece o horizonte
Que por hora impede
Os teus olhos de contemplarem
O eterno presente no tempo
O ausente presente em segredo
Na sagrada saudade que o deixa continuar

Deixa morrer o que a morte já sepultou
Deixa viver o que dela ressuscitou
Não queiras ter o que ainda não pode ser
É possível crescer nesta hora
Mesmo quando o que amamos
Foi embora
A saudade eterniza a presença
De quem se foi
Com o tempo esta dor se aquieta
Se transforma em silêncio que espera
Pelos braços da vida um dia reencontrar.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Cosagração Missionária de Adriano José e Evandro Aires


Dois noviços fizeram sua consagração Missionária no dia 01 de julho. Adriano Lima partirá para a teologia no México, e Evandro A Carvalho seguirá para a teologia das Filipinas. Que São Guido Maria Conforti os proteja e que nossa senhora da Estrada os acompanhe. Contem com nossas orações.


“Senhor ajuda-me a ter coragem de lavar minha rede que tão suja está e, que mesmo sabendo de sua imundície, pareço gostar de conviver com isso. Lava-me senhor porque sou pecador e tão frágil encontro-me quando pratico aquilo que não está gravado no meu coração e que em nada contribui para o meu bem pessoal e comunitário. Quando lanço redes vazias sem nem sequer preocupar-me com tantas vidas que poderia salvar se colocasse minha vida com mais profundidade em tuas mãos. ‘Senhor afasta de mim porque sou pecador’, nem sequer mereço o que possuo, mas sei que és bondade e clemência, e por nenhum segundo sequer que eu mereça, irá afastar-se de mim! Mas ajuntar-se-à a mim e nos meus ouvidos dirá: ‘Não tenhas medo! De hoje em diante, tu serás pescador de homens’. Amém!”.Evandro A Carvalho

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um amigo, uma saudade.

Um amigo, uma saudade.
Existem pessoas que fazem falta em nossas vidas. Quanto mais especiais e mais importantes para nós, tanto mais sentimos falta da presença delas, das coisas simples, dos pequenos gestos. É um sentimento que preenche a alma, mas, ao mesmo tempo, traz um vazio ao peito. Uma saudade sem tamanho.


Se estamos em um lugar e a saudade aperta, mesmo que tudo diga que a pessoa não virá, há uma esperança tão grande, que a todo momento vivemos a expectativa do encontro. Não importa o que nos dizem e o quão contrárias sejam as notícias, o coração vive a expectativa da chegada no olhar que busca o amigo em todos os lugares. Mesmo que demore dias, meses, anos, o coração sempre espera ansioso o reencontro com o coração do amigo.

Mas por que tudo isso? Por que esse sentimento tão forte de ausência e de saudade que preenche a alma? Por que isso não acontece com todas as pessoas?

Já dizia o poeta que quando sentimos saudade de um amigo, sentimos saudade do pedaço de nós que está no coração dele. Por isso o sentimento de ausência. Por isso a saudade tão forte. Só nos sentimos completos quando encontramos nele o pedaço de nós mesmos que nos falta. Não é uma dependência afetiva da pessoa, pelo contrário, é uma necessidade de encontrar a si mesmo nela.

Esse encontro não se limita à presença física, ele a transcende porque o sentimento que há nos corações nos leva além do tempo e do espaço. Padre Léo dizia: “A presença física é a mais pobre das presenças”, mas quando ela é sublimada, torna-se parte de um todo e intensifica o que já existe. Não depende de estar perto da pessoa, mas se há o sentimento puro e verdadeiro, essa proximidade se plenifica.

No entanto, não esperemos viver isso com todas as pessoas; essa graça ocorrerá com poucas, não porque algumas sejam melhores que as demais, mas porque foi a essas pessoas que Deus confiou parte de nós mesmos para que por elas fôssemos cuidados.

Essa é a saudade de uma verdadeira amizade. A saudade que é uma pessoa. Via pela qual encontramos no amigo a nós mesmos. Encontramos o que falta em nós e que a ele foi confiado por Deus. Por isso dói, por isso traz um vazio ao peito. Sentimos falta do pedaço de nós mesmos que ele traz em si.

Santo Agostinho dizia que a metade de nossa alma é um bom amigo. Por isso quando o coração apertar com a dor da saudade de um grande amigo, só o Senhor poderá romper o tempo, o espaço, e levar a nossa alma a estar novamente completa. Somente Ele pode consolar essa dor, pois é n'Ele que os verdadeiros amigos se encontram e se eternizam. No Senhor a saudade se torna esperança e alegre expectativa de reencontrar a si mesmo no coração de um grande amigo.

Tenho saudade! Por isso não demore a me trazer de volta para mim mesmo!

Saudade de mim em você,

Renan Félix Missionário da Canção Nova.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

TRISTE ILUSÃO

Do que nos serve a ilusão?
Para onde nos leva essa dor, se mal sabemos o porquê ela existe?
Grande ilusão não conseguir dizer uma palavra, tentar vasculhar o passado e perceber que toda a memória foi perdida. Não sei em que lugar ela se fixou e por mais tentador que seja  ainda é um mistério. Ilusão, oh palavra indiscreta e triste, mal sabemos que a partir dela  vivemos, respiramos e a bebemos. Somos imbuídos desse veneno, que lá no fundo, quase despercebido tornou-se essencial para vislumbrar a máscara que fizemos de nós.
Talvez o problema esteja na relação que existe entre o sujeito do conhecimento e o objeto a ser conhecido. Sabemos que o trabalho realizado pela faculdade do intelecto humano consiste  em realizar conceitos e  imprime nos objetos exteriores nossos gostos pessoais, sentimentos, vontades e conclusões imediatas.
Podemos definir, entretanto, que tudo aquilo que é particular ao nosso modo humano, tem sentido fora de nós. Eis ai a causa da ilusão: imprimimos no mundo o nosso modo de ser. Vemos nele aquilo que projetamos para ele; o representamos fenomenicamente permeados por um conjunto de sentimentos e pensamentos contraditórios. Somos impulsivos e desejantes. Jamais nos saciamos! Lidamos  com o estado permanente de militância dos sentimentos, eles lutam e divergem entre si.
Como um ser humano que age desse modo, pode querer entender o universo que está fora dele?
A reapresentação humana do mundo  é insuficiente, pois ele está fora  de nós. Possui leis próprias e  em si é constituída por uma forma e dimensão que lhes são próprias. Daí deriva uma parte de nossos problemas, vivemos no mundo e somos completamente diferentes dele. Diferentes dos demais seres humanos! Desenvolvemos o modo mais apurado de ver e julgar o outro que está fora de nós. Sendo que esse julgamento é indevido, pois o outro, apresenta uma originalidade e característica própria à sua condição.
Por fim, adentramos para a  ilusão! Uma vez conhecida, ela não nos abandona, e não tem fim. A não ser que  por força divina nos é removida a venda dos olhos e voltamos a enxergar o real; o original que não começa e nunca poderá partir de um conceito individual.

AUTOR: Adriano Lima Sx

domingo, 27 de maio de 2012

Amor, Vento e Pipa


Deixa passar o vento sem lhe perguntar nada.
            Seu sentido é apenas ser vento que passa... (Ricardo Reis, (heterônimo de Fernando Pessoa)).
            Deixa-me tocar as pedras, sem feri-las por dentro; deixa-me palpar teus rastros sem te descobrir; sinta o meu perfume exalando vento; não perguntes, pois, ele não pensa, não chora, não olha para trás, não se iluda sou somente vento. Então não me perguntes! Sou uma resposta imposta que lhe basta e que lhe passa...
            Minha querida D. um dia abri mão te conhecer-te melhor teus hábitos de costume; um dia decidi amar-te para toda na história, decidi em mim, que sonhos, nem todos necessitam ser realizados. Senão, que sentido teria de sonhar? Se sonhos fossem sinônimos de realização não precisariam sonhar.
            Te quis não realizar-te, me quis não realizar-me para continuar te amando. Entendo que amor não se realiza apenas se sonha. Poderíamos juntos ter crescidos em laços conjugais, ter-nos arrumado uma cabana, uma vassoura para pentear o chão de cada dia, mas preferi te amar sonhando. Um laço se desmancha, mas um sonho é eterno!
            A cada dia que passa o meu amor por ti cresce; brotos nascem ao lado de cada viga de galhos quebrados, minha inspiração aumenta meu desejo por ti sustenta a alegria de ficar passando vento no teu corpo todos os dias. Sonhos é vento! Vento não se realiza não se consome, não ostenta... Passa, somente! Vento engarrafado, dizia meu amigo R. A, não levanta pipa, mas solto, sem limites para soprar faz a leve pipa ganhar ares até o fio acabar. Acaba o fio, mas a vontade de voar, não. Toda pipa sonha com o infinito, mas toda linha sonha em limitá-la.
            Amor é pipa sonhadora que não deseja ficar, mas sempre partir para desenrolar camadas de caminhos pelo ar. Desejos de realizar amores, é fio, linha que prende, agarra, enrola, gruda, machuca, solta, mas sempre puxa para baixo. Quem entende amor assim não sabe o que é amar.
            Se você disser que tudo isso é mentira - que eu não te amo - que quem ama está junto, ao lado... coisa que de mim nunca aconteceu e, nunca irá, é porque ainda acredita na tua ingênua intuição de amar. A estranha mania de pensar as coisas perto. Eu não penso assim, penso tudo muito longe, até mesmo longe de mim. Pra mim o perto é inferno, longe é o céu.
Casar é assim: um dia um é pipa e quer voar, mas o outro faz o papel da linha que pensa sempre em limitar para não perdê-la de vista. O medo de perder faz as pessoas criarem armadilhas invisíveis. As armadilhas invisíveis é a pior coisa que existe, trancafia o espírito.    “Os humanos querem voar, já dizia meu amigo R. A, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde certezas moram... Quando as gaiolas são feitas de ferro é fácil perceber a prisão. Os prisioneiros sonham o tempo todo com fugas. Mas há gaiolas que não são feitas com ferro. São feita com palavras. As gaiolas de ferro nos prendem por fora. As gaiolas de palavras nos prendem por dentro”.

            Casamentos iniciam se “amando” de longe. Mas com o tempo vai ficando perto, mais perto, mais perto... Tão perto que o que era “amor” virou inferno. O inferno é feito de linhas, de fios, barbantes que sonham limitar a vida daqueles que desejam sonhar. O sonho de quem quer casar é ficar perto; produzir linhas. “Ergui os olhos e vi, iluminando as encostas da colina, o planeta que sempre indica o bom caminho; (...) Iniciava a subida, e subitamente surgiu ágil e veloz, uma pantera de pele matizada. A fera não me perdia de vista; e de tal modo obstava minha caminhada que muitas vezes desejei retornar. No firmamento a aurora já brilhava; o sol se alçava cercado de astros... com ele criados quando o divino Amor deu vida aos céus”. Dante na “Divina comédia” atravessa o inferno, purgatório e o céu.
            Saiba que quem quer começar fazer uma subida jamais escapará destas fases. Panteras feitas de barbantes ameaçar-te-á com olhos calejados te coagindo sempre a voltar. Mas se você pensa feito eu, acredite no divino amor que ele sempre te libertará. Luzes ofuscam panteras. E luz é sempre liberdade. Ela é livre para ir e para voltar, ninguém consegue agarrá-la. Quando alguém pensa possuí-la, e guarda em um candelabro fechado, logo alguns segundos ela se apaga e vai embora clarear onde lhe deixam manifestar sua liberdade.
            Mas dentre todas estas fases, muitos milagres já vi! Por que duas pessoas sonharam um dia somente produzir pipas.

 Evandro Aires de Carvalho

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Por quem vocês carregaram as pedras?


"Um dia, disse Jesus aos discípulos: “Gostaria que carregassem uma pedra para mim.” Ele não deu qualquer explicação. Então, os discípulos procuraram pedras para carregar consigo; Pedro, prático como era, procurou pela menor pedra que pudesse encontrar. Afinal, Jesus não havia dito nada sobre tamanho e peso! Assim, colocou uma pedra no bolso. Jesus então disse: “Sigam-me.” E eles deram inicio a uma caminhada.

Por volta do meio dia, Jesus pediu que todos se sentassem. Fez um meneio com as mãos e todas as pedras se transformaram em pão. Então, disse: “É hora de comer.” Em poucos segundos a comida de Pedro havia acabado.


Terminada a refeição, Jesus pediu que todos se levantassem. Tornou a dizer: “Gostaria que carregassem uma pedra para mim”. Desta vez, Pedro pensou: “Aha! Agora entendo!” olhou em volta e viu um pequeno penedo. Suspendeu a pedra sobre os ombros, e era tão pesada que o deixou cambaleante. Mas pensava: “Mal posso esperar pelo jantar.” Então Jesus disse: “Sigam-me.” E eles deram inicio a outra caminhada, e Pedro mal conseguia acompanhar o grupo.


Por volta do horário do jantar, Jesus os conduziu para a margem de um rio. Disse: “Agora, quero que todos joguem as pedras na água.” E assim foi feito. Depois acrescentou: “sigam-me”, e começou a andar. Pedro e os outros olharam para ele, embasbacados. Jesus suspirou e disse: “Não se lembram do que eu pedi que fizessem? Por quem vocês carregaram as pedras?"


Por vezes nos sentinmos cansados na obra de Deus é como se estivéssemos carregando pedras. Nossa missão fica cansativa e não vemos os frutos de nosso trabalho.É que nos tornamos meros executadores de tarefas. Tudo que fizermos só pode ser feito com amor e por amor a nosso Senhor Jesus Cristo ou nos cansaremos e abandonaremos a nossa missão. Façamos tudo por Jesus e não nos fadigaremos jamais pois Ele virá em nosso socorro e a força do Espirito Santo nos sustentará na caminhada.


(A história de “Pedro e a pedra” foi tirada do livro “O Deus pródigo” de Timothy Keller).

quarta-feira, 9 de maio de 2012

MÃE QUE PENSA COM O CORAÇÃO...


Nada mais contraditório do que ser mãe.... mãe que pensa com o coraçao, age pela emoção e vence pelo amor. Que vive milhões de emoções num só dia e transmite cada uma delas, num único olhar. Que cobra de si a perfeição e vive arrumando desculpas para os erros daqueles a quem ama, que hospeda no ventre outras almas, dá a luz e depois fica cega , diante da beleza dos filhos que gerou. Que dá as asas, ensina a voar mas não quer ver partirem os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhes pertencem. Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda que seu amor nem perceba mais tais detalhes. Que como uma fada transforma em luz e sorriso as dores que sente na alma, só para ninguem notar, e ainda tem que ser forte, para dar os ombros para quem neles precise chorar. felizes os filhos que por um dia souber entender a alma de uma mae!!!Obrigado meu Deus por todas as mães, pela minha querida mãezinha "Melinha", por minha querida sogra "Aparecida" e obrigado especialmente por Maria, mãe do meu amado Senhor Jesus Cristo.!!!!!amem.
(desconheço o autor do texto)

domingo, 29 de abril de 2012

Jovens em Canção "Novo Amanhã"

Ide ao mundo e façam discípulos que vivam o amor. Ide ao mundo e façam discipulos entre todos os povos e nações.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Bento XVl fala sobre a Oração e o Ativismo"



CATEQUESE
Praça de São Pedro
Vaticano

Quarta-feira, 25 de abril de 2012

Queridos irmãos e irmãs

Na catequese passada, mostrei que a Igreja, desde o início do seu caminho, teve que enfrentar situações imprevistas, novas questões e emergências às quais procurou dar respostas à luz da fé, deixando-se guiar pelo Espírito Santo. Hoje gostaria de deter-me sobre uma outra situação, sobre um problema sério que a primeira comunidade cristã de Jerusalém teve que enfrentar e resolver, como nos narra São Lucas no capítulo sexto dos Atos dos Apóstolos, a respeito da pastoral da caridade junto às pessoas solitárias e necessitadas de assistência e ajuda. A questão não é secundária para a Igreja e corre-se o risco naquele momento, de criar divisões no interior da Igreja; o número dos discípulos, de fato, vinha aumentando, mas aqueles de lingua grega começavam a lamentar-se contra aqueles de língua hebraica porque as suas viúvas estavam sendo deixadas de lado na distribuição cotidiana (At. 6,1). Diante da urgência que se referia a um aspecto fundamental na vida da comunidade, isto é, a caridade em relação aos mais fracos, aos pobres, aos indefesos, e a justiça, os Apóstolos convocam todo o grupo de discípulos. Neste momento de emergência pastoral, sobressai o discernimento realizado pelos apóstolos. Eles se encontram diante da exigência primária de anunciar a Palavra de Deus segundo o mandato do Senhor, mas - também se esta é uma exigência primária da Igreja - consideram da mesma forma o dever da caridade e da justiça, isto é, o dever de assistir as viúvas, os pobres, de prover com amor diante das situações de necessidade nas quais se encontram irmãos e irmãs, para responder ao mandamento de Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,,12.17). Portanto, as duas realidades que devem ser vividas na Igreja -  o anúncio da Palavra, a primazia de Deus, e a caridade concreta, a justiça - , estão criando dificuldade e se deve encontrar uma solução, para que ambas possam estar em seus devidos lugares, e sua relação necessária. A reflexão dos Atos dos Apóstolos é muito clara, como ouvimos: "Não é justo que nós deixemos a Palavra de Deus à parte para servir as mesas. Entretanto, irmãos, procureis entre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais confiaremos esta missão. Nós, ao invés disso, nos dedicaremos à oração e ao serviço da Palavra" (At 6,2-4).

Duas coisas aparecem: primeiro, existe a partir daquele momento, na Igreja, um ministério da caridade. A Igreja não deve somente anunciar a Palavra, mas também realizar a Palavra, que é caridade e verdade. E, segundo ponto, esses homens não somente devem gozar de boa reputação, mas devem ser homens repletos do Espírito Santo e de sabedoria, isto é, não podem ser somente organizadores que sabem "fazer", mas devem "fazer" no espírito da fé com a luz de Deus, na sabedoria do coração, e portanto, também a função deles - mesmo que seja prática -  é todavia uma função espiritual. A caridade e a justiça não são somente ações sociais, mas são ações espirituais realizadas na luz do Espírito Santo. Portanto, podemos dizer que essa situação vem enfrentada com grande responsabilidade por parte dos apóstolos, os quais tomam esta decisão: são escolhidos sete homens; os apóstolos rezam para pedir a força do Espírito Santo e depois, impõem as mãos para que se dediquem em modo particular a essa diaconia da caridade. Assim, na vida da Igreja, nos primeiros passos que ela realiza, se reflete, em um certo modo, o que havia acontecido durante a vida pública de Jesus, na casa de Marta e Maria em Betânia. Marta estava bem ligada ao serviço da hospitalidade oferecido a Jesus e aos seus discípulos; Maria, ao contrário, se dedica à escuta da Palavra do Senhor (Luc 10,38-42). Em ambos os casos, não são contrapostos os momentos da oração e da escuta de Deus, e a atividade cotidiana e o serviço da caridade. A expressão de Jesus: "Marta, Marta, tu te preocupas e te agitas com tantas coisas, mas de uma coisa tens necessidade, Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada" (Luc 10,41-42), como também a reflexão dos apóstolos: "Nós nos dedicaremos à oração e ao serviço da Palavra" (At 6,4), mostram a prioridade que devemos dar a Deus. Não gostaria de entrar agora na interpretação desta perícope Marta-Maria. Em todo caso, não vem condenada a atividade pelo próximo, mas vem destacado que ela deve ser penetrada interiormente também pelo espírito de contemplação. Por outro lado, Santo Agostinho diz que essa realidade de Maria é uma visão da nossa situação no céu, portanto, na terra, não podemos nunca tê-la completamente, mas um pouco de antecipação deve estar presente em toda a nossa atividade. Deve estar presente também a contemplação de Deus. Não devemos nos perder no ativismo puro, mas sempre deixarmo-nos penetrar na nossa atividade à luz da Palavra de Deus e assim aprender a verdadeira caridade, o verdadeiro serviço pelo outro, que não tem necessidade de tantas coisas - tem necessidade certamente das coisas necessárias - mas tem necessidade sobretudo do afeto do nosso coração, da luz de Deus.

Santo Ambrósio, comentando o episódio de Marta e Maria, assim exorta os seus fiéis e também nós: "Procuremos ter também nós aquilo que não nos pode ser tirado, dando à palavra de Deus uma grande atenção, não distraída: acontece também às sementes da palavra de serem levadas embora,  semeadas ao longo da estrada. Estimule também tu, como Maria, o desejo do saber: é esta a maior, mais perfeita obra" - E acrescenta ainda: "o cuidado do ministério não desvie o conhecimento da palavra celeste" (Expositio Evangelii secundum Lucam, VII, 85: pl 15, 1720). Os santos, portanto, experimentaram uma profunda unidade de vida de oração e ação, entre o amor total a Deus e o amor aos irmãos. São Bernardo, que é modelo de harmonia entre contemplação e operosidade, no livro De Consideratione, endereçado ao Papa Inocêncio II para oferecer-lhe algumas reflexões a respeito de seu ministério, insiste exatamente sobre a importância do recolhimento interior, da oração para defender-se dos perigos de uma atividade excessiva, qualquer que seja a condição na qual se encontra a tarefa que se está desenvolvendo. São Bernardo afirma que a demasiada ocupação, uma vida frenética, geralmente acabam induzindo o coração a fazer sofrer o espírito.
É uma preciosa retomada para nós hoje, acostumados a valorizar tudo a partir do critério da produtividade e da eficiência. O trecho dos Atos dos Apóstolos nos recorda a importância do trabalho - sem dúvida se é criado um verdadeiro ministério - , do empenho nas atividades cotidianas que são desenvolvidas com responsabilidade e dedicação, mas também a nossa necessidade de Deus, da sua direção, da sua luz que nos dão força e esperança. Sem a oração cotidiana vivida com fidelidade, o nosso fazer se esvazia, perde o sentido profundo, se reduz a um simples ativismo que, no final, nos deixa insatisfeitos. Existe uma bela invocação da tradição cristã para recitar-se antes de toda atividade, a qual diz assim: Actiones nostras, quæsumus, Domine, aspirando præveni et adiuvando prosequere, ut cuncta nostra oratio et operatio a te semper incipiat, et per te coepta finiatur", isto é: "Inspire as nossas ações Senhor, e acompanhe-as com a tua ajuda, para que todo o nosso falar e agir tenha de ti o seu início e o seu cumprimento". Cada passo da nossa vida, toda ação, também na Igreja, deve ser feita diante de Deus, à luz da sua Palavra.

Na catequese da quarta-feira passada eu havia destacado a oração unânime da primeira comunidade cristã diante das provas e como, exatamente na oração, na meditação sobre a Sagrada Escritura ela pode compreender os eventos que estavam acontecendo. Quando a oração é alimentada pela palavra de Deus, podemos ver a realidade com olhos novos, com os olhos da fé e o Senhor, que fala à mente e ao coração, dá nova luz ao caminho em todos os momentos e em todas as situações. Nós cremos na força da Palavra de Deus e da oração. Também a dificuldade que está vivendo a Igreja diante do problema do serviço aos pobres e a questão da caridade, é superada na oração, à luz de Deus, do Espírito Santo. Os apóstolos não se limitam a ratificar a escolha de Estevão e dos outros homens, mas depois de rezar , impõem-lhes as mãos" (At 6,6). O Evangelista recordará novamente estes gestos em ocasião da eleição de Paulo e Barnabé, onde lemos: "depois de ter jejuado e rezado, impuseram-lhes as mãos e os despediram" (At 13,3). Confirma-se de novo que o serviço prático da caridade é um serviço espiritual. Ambas as realidade devem andar juntas.

Com o gesto da imposição das mãos, os Apóstolos conferem um ministério particular a sete homens, para que seja dada a eles a força correspondente. O destaque dado à oração - depois de ter rezado", dizem -  é importante porque evidencia exatamente a dimensão espiritual do gesto; não se trata simplesmente de conferir um encargo como acontece em uma organização social, mas é um evento eclesial no qual o Espirito Santo se apropria de sete homens da Igreja, consagrando-os na Verdade que é Jesus Cristo: é Ele o protagonista silencioso, presente na imposição das mãos para que os eleitos sejam transformados pela sua potência e santificados para enfrentar desafios práticos, os desafios pastorais. E o destaque da oração nos recorda além disso que somente no relacionamento íntimo com Deus cultivado a cada dia nasce a resposta à escolha do Senhor que nos vem confiado cada ministério na Igreja.

Queridos irmãos e irmãs, o problema pastoral que levou os apóstolos a escolher e a impor as mãos sobre sete homens encarregados do serviço da caridade, para dedicarem-se à oração e ao anuncio da Palavra, indica também a nós a primazia da oração e da Palavra de Deus, que, todavia, produz depois também a grande ação pastoral. Para os Pastores, esta é a primeira e mais preciosa forma de serviço em relação ao rebanho a eles confiado. Se os pulmões da oração e da Palavra de Deus não alimentam a respiração da nossa vida espiritual, sofremos o risco de nos sufocarmos em meio às mil coisas de todos os dias: a oração é a respiração da alma e da vida. E existe uma outra preciosa retomada que gostaria de destacar: no relacionamento com Deus, na escuta de sua Palavra, no diálogo com Deus, também quando nos encontramos no silêncio de uma igreja ou de nosso quarto, estamos unidos no Senhor a tantos irmãos e irmãs na fé, como uma junção de instrumentos, que apesar da individualidade de cada um, elevam a Deus uma única grande sinfonia de intercessão, de agradecimento e de louvor. Obrigado.
 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

“Uma menina entre as figueiras"


Uma menina passeava pelas figueiras, observava os rebentos serem abraçados pelo sol e seus diminutos frutos se arredondavam como a lua crescente em noites prateadas. Uma mente contemplativa nascia no seio do deserto. Não tinha muito, mas tinha tudo. Vestes humildes, coração gigante. Transparente, encantava pelo que era não pelo que tinha. A menina cresceu tornou-se adolescente. Fez da arte de agradecer seu cálice diário e da arte de questionar seu pão de cada dia. Homenageava a existência, ao sol, à chuva, ao riso e as lagrimas, ao drama e à comedia. Seu olhar capturou um jovem de mãos calejadas. As pesadas toras, atritos das ferramentas o tornaram tosco por fora, mas não furtaram a sensibilidade por dentro. Enamorou-se.
Coração palpitante, emoção borbulhante, seria mais um casal que construiria uma simples historia. Mas quando pensava que iam cair nos braços um do outro, subitamente o amor foi interrompido. Todo amor passa por testes, o deles, era quase impossível.
Ela sonhava com seu romance, sua casa, seus filhos e com as estratégias para sobreviver. Os pesados impostos romanos massacravam as esperanças de seu povo.
Quando velejava nas águas da imaginação, uma misteriosa personagem invadiu seu aposento. Seu coração palpitou seus olhos, assombrados, se estatelaram. Deveria bater em retirada, mas para nosso espanto ficou. Recebeu o mais espetacular dos convites. Não havia letras douradas nem papel refinado. Um convite oral, endereçado a seus ouvidos. O mensageiro dizia que o Artesão da existência, realizou um concurso, com milhões de participantes. Era um concurso de beleza, no entanto, da mais fina delas: a beleza interior. A beleza que o tempo não apaga que o poder não domina que o dinheiro não compra e que o culto à celebridade jamais pode seduzir. “Tu és cheia de graça. Eis que engravidaras e darás à luz um filho. Ele será grande e será chamado Filho do altíssimo.” Ela seria a mulher mais famosa da historia, a mais elogiada e a mais querida. Mas a fama não a seduzia. O convite traria elogios surpreendentes e rejeições “insuportáveis”, ganhos solenes e perdas irreparáveis. Perderia seus dois amores. Primeiro o homem que escolheu para construir a sua historia, depois, o mais forte, o mais avassalador, perderia o filho com o qual construiu a mais bela historia de amor. O mensageiro partiu sem deixar vestígio.  Tão jovem tão saturada de júbilo e de esperança. Mas bastaram dias para atravessar o deserto social. Onde estava a mãe mais exaltada? Foi humilhada, abandonada, seu noivo se foi, as amigas desapareceram. Alguns parentes talvez pensassem que ela delirava. De repente, quando olhava o horizonte, viu a figura de um homem. Seus passos ansiosos denunciavam um forte desejo, um reencontro, um recomeço. Era o homem que a abandonara. De longe abriu os braços. Sob uma aura de emoção incontida, ela saiu e correu a seu encontro. Abraçou-a e beijou-a e pediu desculpas disse que enfrentaria o mundo com ela. O tempo passou, a gravidez evoluiu, a barriga cresceu e não houve pré-natal. Ela carregava o bebê mais famoso da historia em seu útero, mas o útero social não era generoso com ele. Chegaram a Belém. Aplausos na chegada? Nenhum.  Hotéis? Pensões? Não havia. Médicos para assisti-la? Nem sequer uma parteira. Deu a luz ao menino mais célebre no lugar mais miserável. O menino mal nascera e não tinha direito de viver, teve que fugir. Partiu para outro país. Carregava seu filho no colo por quilômetros infatigavelmente. Protegia-o com a própria vida. Mãe e filho tornaram-se grandes amigos desde a infância. Ele era disciplinado. Trabalhava muito bem com madeira, cravos e martelos, enfim, as mesmas ferramentas que um dia o matariam. Chegou o dia da partida. Foi muito difícil para ela. Seu filho foi levado à casa de Pilatos. Seus discípulos o abandonaram. Vê de longe uma face desfigurada, carregando uma trave de madeira. O filho que ela carregou no colo, beijou todos os dias, estava sangrando. Sua mãe o acompanha. Quando ouviu os pregos cravarem seus punhos na cruz, era sua emoção que estava sendo cravada. É meu filho! É meu filho! Aos brados conseguiu aproximar-se dele. Ele controlou sua dor para proteger sua mãe. Não podia abraçá-la, nem beijá-la, nem consolá-la. Mal conseguia falar. Mas disse-lhe uma notável mensagem: “Mulher, eis aí teu filho.” E apontou para João. Ele queria dizer: Mãe, eu vou, como a alertei. É pela humanidade que estou aqui. Mas João cuidará de ti. Quando ele beijá-la será meus beijos em ti, quando ele abraçá-la será eu quem estará te abraçando. Jamais deixarei de amá-la. A mulher mais famosa foi a que mais desprezou a fama, foi a mais discreta e serena. Não queria elogios nem aplausos, apenas abraçar seu filho e beijá-lo enquanto ele morria, mas nem sequer teve esse direito. Seu nome foi MARIA, tão simples e tão forte. Foi assim que mãe e filho secretaram a mais bela poesia de amor no inverno mais rigoroso da existência. Gritaram seus indecifráveis gestos de que vale a pena amar e que só o amor nos torna inesquecíveis e insubstituíveis..
( Texto extraido do livro Mulheres Inteligentas, Relações Saudáveis de A. Cury)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

"Estrelas e Cometas"



 
Há pessoas estrelas e há pessoas cometas.
 
Os cometas passam.
Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
 
As estrelas permanecem.  sol permanece.
Passam anos, milhões de anos e as estrelas permanecem.
 
 Há muita gente cometa.
Passa pela vida da gente apenas por instantes.
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos, gente que passa pela vida sem iluminar,
sem aquecer, sem marcar presença.
 
Importante é ser estrela.
Estar junto. Ser luz. Ser calor. Ser vida.
 
         Amigo é estrela.
Podem passar anos, podem surgir distâncias,
mas a marca fica no coração.
Coração que não quer  enamorar-se de cometas,
que apenas atraem olhares passageiros.
 
  Ser cometa é ser companheiro por instantes,
explorar os sentimentos humanos,
ser aproveitador das pessoas e das situações,
fazer-se acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.
 
Solidão é resultado de uma vida cometa.
Ninguém fica, todos passam.
 
Há necessidade de criar um mundo de estrelas.
Todos os dias poder contar com elas e poder sentir sua luz e calor.
 
Assim são os amigos.
Estrelas na vida da gente.
São aragem nos momentos de tensão.
São luz no momento de desânimo.
 
Ser estrela neste mundo passageiro,
neste mundo cheio de pessoas cometas,
é um desafio, mas acima de tudo,
uma recompensa.
 
         Recompensa de ter sido luz para muitos amigos,
ter sido calor para muitos corações,
ter nascido e ter vivido
e não apenas existido.
(Autor desconhecido)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

"A Moeda"

Um especialista em moedas falsas passava o dia estudando uma única moeda de ouro. Dias e dias, meses a fio.Sempre a mesma moeda.
As pessoas ficavam curiosas para saber por que ele nao escolhia outra, uma falsa, por exemplo, para descobrir o que estava errado. Mas ele nao queria saber de outra.
Um dia alguém criou coragem o suficiente e perguntou ao especialista:
- Se o senhor é contratado para descobrir moedas falsas, por que só estuda essa moeda e nem olha para as falsas?
- Meu amigo – disse o estudioso – eu não preciso conhecer as moedas falsas. Se eu estudar bem a moeda verdadeira, cada detalhe, cada desenho, até te-la gravada na minha memória e no coraçao, eu saberei reconhecer uma moeda falsa assim que puser os olhos nela, mesmo que seja uma diferença quase invisível, porque eu conheço a moeda verdadeira e nao serei enganado jamais.
Assim deve ser o cristão.
Se ele procurar conhecer a Cristo, estudar a Bíblia todos os dias e gravá-la no coraçao saberá logo quando quiserem lhe empurrar uma falsa doutrina, uma “religiao” nova. Ele conhece o Cristo Verdadeiro e nao se deixa enganar.
“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”
(Desconheço o autor)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

"Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim."


Quinta-Feira Santa 05 de abril de 12
Evangelho: João 13, 1-15
 Jesus sabendo que tinha chegado sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Aqueles que detinham o poder a tempo procuravam matá-lo, agora ele sabia que havia chegado sua hora. Ele não iria fugir de sua missão, alias esperava esta hora ansiosamente. “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer, pois eu vos digo que não a comerei até que ela se cumpra no reino de Deus”. Lucas 22,15-16. Esperava ardentemente aquela páscoa onde ele seria o cordeiro imolado.
 A páscoa dos Judeus era a comemoração anual para lembrar a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Antes de saírem do Egito cada família deveria imolar um cordeiro comê-lo com ervas amargas e pães ázimos e com o sangue do cordeiro marcar os umbrais das portas. Esta festa para os judeus era de muita alegria, pois recordavam que Deus os havia libertado com braço forte e mão estendida e os havia conduzidos a Canaã, a terra prometida.
Jesus esperou por esta festa, morreria pela humanidade se identificou como o próprio cordeiro. João já havia dito de Jesus quando foi a ele para ser batizado: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.
Nesta noite santa Jesus ceiou com seus discípulos tomando o pão disse-lhes: “Tomai e comei; isto é meu corpo. Tomai e bebei dele todos; porque isto é meu sangue da aliança, que é derramado por muitos para o perdão dos pecados.” Jesus se fez alimento. Nosso alimento a Eucaristia. Era a ultima noite com seus discípulos, tinha que ser uma noite incomum, diferente de todas as outras e foi. Deixou-nos o exemplo de que toda autoridade só pode ser entendida como doação e serviço para com o próximo. Depois lavou o pé dos discípulos inclusive daquele que o trairia. Jesus sabia que Judas o entregaria, mas lavou-lhes os pés com o mesmo amor que lavou os pés dos outros discípulos.
 Imagina se nós soubéssemos que alguém irá nos trair nosso orgulho não permitiria que o acolhêssemos com amor e humildade. Jesus foi além amou seu traidor até o fim. Não toleramos a menor ofensa, Jesus amou e serviu aquele que o entregaria a morte com um beijo no rosto. Jesus lavou os pés dos discípulos dando-nos o exemplo e ensinando-nos amar até os que nos perseguem. Ensinou-nos o amor-serviço-doação. Jesus soube amar como ninguém, sabia do suplicio que sofreria dali a poucas horas, mas não permitiu que o medo do sofrimento tomasse conta do seu coração, seu objetivo seria levado até as ultimas conseqüências libertaria a humanidade que estava escrava do pecado.
Jesus com este gesto de amor supremo nos ensina o desapego das honrarias e nos colocar com humildade para servir, é servindo e nos doando que testemunharemos ao mundo a vida nova nos dada por ele na cruz.
Em Cristo

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quaresma, tempo de renascer!

Mais uma Quaresma chegou. Trata-se de um tempo especial para nós católicos. Neste período, a liturgia da Igreja convida e prepara para a Celebração Pascal, mediante a conversão, com práticas de oração, jejum e esmola. E todas as Quarta-Feira de Cinzas de cada ano, no Brasil acontece na Igreja Católica o lançamento da Campanha da Fraternidade. A deste ano, na sua 49ª edição, tem por principal objetivo despertar a solidariedade das pessoas em relação a um problema concreto que envolve a sociedade brasileira, discutir, buscar caminhos e apontar soluções sobre a “Fraternidade e Saúde Pública”. A Igreja brasileira lançando olhar no Antigo Testamento, atualiza o Eclesiástico quando afirma: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38,8). Portanto, o objetivo desta CF 2012 é refletir o cenário da saúde no Brasil, conscientizar o Governo da precarização de condições dos hospitais e mobilizar a sociedade civil para reivindicar melhorias que lhe garanta um renascer no corpo e na alma.
A Quarta Feira de Cinzas nos ajuda a tomar consciência da nossa contingência humana. Já que Deus disse à Adão e Eva aquando do pecado original: “tu és pó e ao pó hás de voltar” (Gênesis 3,19). E por isso, este dia e tempo, não pode ser um gesto formal, folclórico, mera tradição. Ele deve ser expressão de um compromisso de nos deixarmos moldar pelo Espírito Santo para a conversão pessoal e comunitária, sobretudo, no cuidado para com saúde pública, os doentes e pobres conforme nos ajuda a refletir a Campanha da Fraternidade 2012 e possamos dar ao homem uma nova humanidade e dignidade.
Temos de olhar para a Sagrada Escritura e dela tirarmos lições para os nossos dias. Visto que Quaresma é tempo de renovação e mudança de vida, devemos rejeitar o culto pagão. É fundamental que passemos da idolatria para a adoração ao verdadeiro Deus e a incondicional submissão à sua Lei. Aquela Lei que Deus deu ao povo por meio de Moisés e aperfeiçoada por Cristo ( Cf. Mt 5,17-18). A conversão é abandonar a idolatria e cumprir o que Deus determina. É ser solícito às necessidades dos órfãos, viúvas, doentes, pobres e todos aqueles que direta ou indiretamente estão excluídos por causa da sua religião, cor, tribo, origem e condição social. Trata-se de um convite à mudança de atitudes, de comportamentos, na prática da justiça, da solidariedade, compaixão e mansidão.
Em última instância, a conversão é a recriação do ser, um fato mais admirável que a criação do Universo. Ela é obra em primeiro lugar do Espírito Santo em nós, para que com sabor novo possamos pronunciar a palavra “ABBA”. Um “ABBA” que não faz acepção de pessoas. Porque a meu ver, só os homens e as mulheres novos (as) sentirão compaixão ao ver nos rostos – deformados pela miséria e pela doença –, a face chagada de Jesus Cristo, nosso Salvador.
No tempo da Quaresma sentimos ainda o eco da voz do Senhor, que mediante a Igreja, nos convida à conversão nos fará companhia durante os quarenta dias: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. É em chave cristã que somos chamados a entender o forte convite de Jesus a “nascer de novo” (Jo, 3,3). Aqui está meu irmão o verdadeiro sentido da conversão. É essa a grande maravilha que Deus quer operar na vida dos seus amados. Assim, a conversão nos lança num relacionamento mais profundo e íntimo com Deus, a quem não vemos e, necessariamente, com os irmãos, aos quais vemos bater à nossa porta com fome, frio, cansaço, doença, solidão e desespero.
Nesta Quaresma de 2012, o meu maior deseja é que todos nós renovemos a nossa existência em Cristo e com Cristo. Os exercícios quaresmais como jejuns, abstinência, esmola, paciência com o próximo, irão favorecer que realmente nasçamos de novo. Sejamos gestados no seio da Igreja universal, Diocesana, Paroquial e Comunitária. Que na força da vida nova nos impregnemos, com um ardor renovado, no nosso compromisso de servir o Reino de Deus, de dobrar, em atitudes humildes e serviçais. Que de joelhos diante de Altíssimo supliquemos pela conversão, libertação, cura e salvação dos nos irmãos doentes, drogados, prostitutas, pobres e excluídos. É essa a graça que mais desejo e almejo alcançar para todos os cristãos e a você que está lendo esta mensagem, ao participar de mais uma Quaresma. Que Deus nos faça renascer na Sua Graça e nos torne verdadeiros obreiros da sua messe. A você e a toda a sua família desejo um Santo Tempo da Quaresma. Deus o ( a) abençoe.

Pe. Bantu Mendonça Katchipwi Sayla.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"Esmola - Jejum - Oração" Quarta-Feira de Cinzas.



1ª Leitura -  Joel 2, 12-18
Sl - 51 (50)
2ª Leitura - 2 Cor 5, 20-6, 2
Evangelho - Mateus 6, 1-6. 16-18
Quaresma tempo propicio para aprofundarmos nossa fé e assumir a penitencia como meio de conversão autentica e verdadeira. Não somente neste tempo de quaresma, mas em todo tempo nossa vida deve ser uma constante conversão. De maneira especial a igreja nos convida a reavivar nosso compromisso através desses três aspectos; Esmola, Jejum e a oração. Também ouvir atentamente a palavra de Deus e fazer uma boa preparação para a Páscoa de Cristo. Ao escutarmos atenta a palavra de Deus vamos abrindo-nos e conhecendo a vontade de Deus para cada um de nós.
 Na primeira leitura o profeta Joel vem nos falar de conversão. Devemos voltar para Deus não somente com praticas exteriores, mas antes de tudo de todo coração. Rasgar o coração é abrir-se a graça de Deus que nos ama e nos perdoa. Deus conhece o nosso intimo, ele sabe de todas nossas imperfeições só espera que reconheçamos nele o Deus de amor que nos socorre e nos salva.
Na segunda leitura São Paulo nos exorta a nos reconciliarmos com Deus para que não tenhamos recebido a graça da salvação em vão. Cristo morreu por nós por amor, ele que não tinha pecado algum se fez pecado por nós a fim de que fossemos salvos por ele. Deus nos escutou e veio ao nosso encontro ele nos salvou. É hoje o dia favorável a nossa conversão é hoje o dia que o Senhor espera a nossa volta para ele.
A quaresma nos ajuda a buscarmos a reconciliação conosco mesmo com o irmão e com Deus.
No Evangelho Jesus nos chama a atenção para que nossa religiosidade não se torne meros atos exteriores. A esmola, o jejum e a oração têm o objetivo de nos levar a ter um relacionamento mais fraterno com os que sofrem,praticando com eles a caridade.
Esmola não é só dar dinheiro é ser solidário é partilha é não acumular os bens enquanto tantos irmãos passam necessidades. O jejum nos educa nos capacita a exercitar o autodomínio, e assim livres de nossos desejos sirvamos mais a Deus e aos irmãos. A oração nos move em direção a Deus e ao cumprimento de sua vontade. É escutar a Deus que nos fala e dar uma resposta positiva é o encontro pessoal com nosso senhor que faz de nós discípulos /missionários, anunciadores e promotores de seu Reino de justiça, paz e amor.
Neste dia recebemos as cinzas em nossa cabeça para nos recordar que somos pó e ao pó voltaremos. Com o salmista reconhecemos nossos pecados e suplicamos a Deus que crie em nós um coração que seja puro e nos dê um espírito decidido pela busca da santidade. Hoje o Senhor faz novamente o convite: voltai para mim de todo o vosso coração com jejuns, lagrimas e gemidos. Reconciliemo-nos com Deus, pois só temos o hoje para isso.
 Boa e santa quaresma a todos e que nos encontremos firmes e confiantes com Jesus que vence todas as tentações, humilhações, passa pela paixão e cruz chega a gloria da ressurreição. Com ele e por ele reconciliados na Quinta-Feira santa aprender dele o serviço-amor-doação.
 Em Cristo
Rita Leite

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"As bem-aventuranças do missionário"


Bem aventurado aquele que prepara a terra, nela colocando minha semente.
Ele planta um começo!
Bem aventurado aquele que não pisa minha frágil semente.
Ele possibilita meu desenvolvimento!
Bem aventurado aquele que orienta meu jovem rebento.
Ele me proporciona firmeza!
Bem aventurado aquele que não tenta mudar meu áspero caule.
Ele me transmite segurança!
Bem aventurado aquele que espreita pacientemente o surgir de meus primeiros brotos.
Ele respeita meu tempo!
Bem aventurado aquele que acompanha meu processo.
Ele se alegrará ao me ver florir!
Bem aventurado aquele que compreende o significado da espera.
A ele pertencem os frutos!

Ele saberá  partilhar e continuar semeando!
(autoria desconhecida)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"Oração da criança missionária"

Jesus, nossa alegria, tu fostes e permanece o maior amigo das crianças.
Tu confias em nós, abre para nós os segredos do Reino.
Por isso hoje entrego a ti: As crianças alegres e as crianças tristes.
As crianças felizes e aquelas angustiadas.
As crianças saciadas e as crianças famintas. As crianças sadias e aquelas doentes.
As crianças que brincam e as crianças que atiram.
As crianças que estudam e as que trabalham.
As crianças que obedecem e aquelas teimosas.
Maria, nossa mãe, conduze todas pelas veredas da esperança onde brilha a luz do Evangelho. Amém.

sábado, 21 de janeiro de 2012

"Ladainha de São Guido Maria Conforti"

LADAINHA A SÃO GUIDO MARIA CONFORTI

S. GUIDO, chamado por Deus, desde a infancia:
R. GUIAI-NOS E PROTEGEI-NOS!

S. GUIDO, devoto e seguidor do Crucifixo:

SÃO GUIDO, provado pela cruz das doenças:

SÃO GUIDO, devoto de São Francisco Xavier:

SÃO GUIDO, sacerdote e bispo missionário:

SÃO GUIDO, servo fiel e obediente á Divina Providencia;

SÃO GUIDO, arauto do Evangelho nas famílias:

SÃO GUIDO, testemunha do amor pela Eucaristia, força da missão:

SÃO GUIDO, animador da devoção ao Santo Rosário:

SÃO GUIDO, fundador da União Missionária do Clero:

SÃO GUIDO, ardoroso promotor da Missão Além-Fronteiras:

SÃO GUIDO, animador da catequese bíblica:

SÃO GUIDO, exemplo de bondade, ternura e alegria:

SÃO GUIDO, lutador contra os males da guerra e do modernismo:

SÃO GUIDO, profeta da missão no mundo moderno:

SÃO GUIDO, Fundador dos Missionários Xaverianos:

SÃO GUIDO, propagador da missão na China we no mundo inteiro:

SÃO GUIDO, incansdável peregrino nas visitas pastorais:

SÃO GUIDO, inspirador de um novo mundo como grande família:

SÃO GUIDO, homem de Deus e do amor ao martírio:

SÃO GUIDO, patrocinador da missão local e mundial.

(elaborada por Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Londrina e único Bispo Brasileiro presente á canonização de São Guido Maria Conforti).