sexta-feira, 6 de junho de 2014

QUATRO PALAVRAS DO MISSIONÁRIO


Quando começamos os estudos da língua tailandesa, no primeiro dia de aula, a professora nos ensinou quatro palavras muito importantes que iriam nos acompanhar durante todo o período de aprendizagem desta língua, ou seja: fan didi(escutar bem), du didi(ver bem), kít didi(pensar bem), e finalmente pût dan dan(falar alto). Estas palavras me ajudam a partilhar um pouco do meu ministério missionário Tailândia.
Escutar bem
 A primeira coisa que o missionário é chamado a fazer, entrando em uma nova terra, é colocar-se a escuta do povo que o acolhe. Este processo, difícil e delicado, é essencial para uma inserção verdadeira e adequada na vida deste povo. 
Desde que chegamos a Tailândia estamos procurando escutar através de encontro e diálogos com religiosos e religiosas que aqui trabalham a vários anos. Mas, sobretudo, a relação cotidiana com amigos e amigas, leigos e leigas tailandeses nos ajuda a escutar e a acolher o vento impetuoso que o Espírito sopra nesta terra. 
Se a atitude de escuta não é nada fácil, escutar em outra língua é uma dificuldade ainda maior. O idioma tailandês (que possui caráteres próprios, 44 consoantes, 32 vogais e 5 tons diferentes) se apresenta como um grande desafio, mas é fascinante devido à beleza que ele possui. Muitas vezes os obstáculos da língua e as dificuldades em escutar são superados através de um gesto de amizade, gentileza e cordialidade.
Ver Bem
O missionário é chamado a olhar ao seu redor para compreender melhor o "universo cultural" que o circunda. As nossas atividades pastorais, na paróquia e nas periferias - que se desenvolvem em colaboração com as irmãs Xaverianas e os padres do PIME - são para nós oportunidades de ampliar a nossa visão e alargar os nossos horizontes. 
Um olhar atento nos leva a dotar gestos e atitudes, cheios de valores e significados, que caracterizam o povo com o qual vivemos. Por exemplo, aqui na Tailândia antes de entrar na casa de outra pessoa, ou na própria casa, é preciso tirar os chinelos ou os sapatos como sinal de respeito e cortesia. Também o modo de cumprimentar, unindo as mãos e fazendo uma reverência, exprime atenção e gentileza. 
Olhando à nossa volta, nos deparamos também com problemas que são verdadeiras feridas na sociedade tailandesa, como por exemplo: a prostituição e o fenômeno da imigração.  O olhar do missionário, porém, não se limita a um simples observar, mas procura imitar o olhar de Deus que "vê a situação do seu povo, escuta o seu grito de aflição e desce para libertá-lo."
Pensar bem
Escutar com atenção o existente ao nosso redor, ver com deferência o contexto no qual estamos inseridos, nos ajuda a pensar em profundidade. Esta profundidade é fruto da ação do Espírito em nós que nos leva à cultura do encontro e nos impede de permanecer na superfície das coisas e dos eventos, capacitando-nos a vislumbrar - na realidade que está diante de nós - vestígios do divino; pegadas da presença de Deus. A Tailândia é um país onde a maioria da população é budista. O numero dos cristãos não chega a 1%. Este contexto nos pede empenho no âmbito do diálogo inter-religioso, conscientes de que as "sementes do Verbo" estão espalhadas em todo lugar e pedem plenitude. Este caminho nos leva a procurar aquilo que nos une que é muito mais do que aquilo que nos divide.


Falar alto
A motivação do escutar bem, ver bem e pensar do missionário é o desejo de gritar para o mundo inteiro -  mais do que com palavras, com a própria vida - o amor de Deus para que a humanidade em Jesus Cristo, o qual nos doa seu Espírito que nos impele a proclamar toda Beleza, Bondade e Verdade do evangelho. Esta Boa-Noticia abre diante de nós horizontes intermináveis de fraternidade, caridade e comunhão.
Pe Thiago Rodrigues sx.




Fonte: Revista Famíla Xaveriana mês março - maio 2014

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